Temporizadores
Os temporizadores são, depois dos contatos e bobinas, as instruções de CLP mais utilizadas em sistemas de automação industrial. Eles exercem a mesma função que os relés de tempo eletrônicos e mecânicos convencionais, porém de forma lógica como funções definidas internamente e controladas pela programação do usuário.
Eles oferecem vantagens significativas sobre os modelos mecânicos, como:
- Facilidade para alterar os ajustes de tempo via software.
- Maior precisão e repetibilidade, pois os atrasos são gerados pelo relógio interno do processador.
- Flexibilidade para aumentar ou diminuir a quantidade de temporizadores sem a necessidade de novas fiações físicas.
O funcionamento básico de um temporizador consiste em contar intervalos de uma base de tempo até atingir um valor desejado.
Elementos Principais
Para operar, um temporizador utiliza três parâmetros fundamentais:
- Valor Pré-ajustado (Preset - PRE ou PT): É o tempo total de retardo desejado (ex: 10 segundos).
- Valor Acumulado (ACC ou ET): Representa o tempo que já decorreu desde que a instrução foi ativada.
- Base de Tempo: É a unidade de incremento do contador (ex: 1s, 0,1s ou 0,01s). Se a base for 0,1s e o pré-ajuste for 50, o retardo será de 5 segundos (50 × 0,1s).
Bits de Interface
O temporizador interage com o programa através de bits:
- IN (Entrada): Habilita a contagem de tempo.
- Q (Entrada): Indica o fim da contagem de tempo estabelecida.
- EN (Habilitação): Verdadeiro enquanto o temporizador estiver energizado.
- TT (Cronometragem): Verdadeiro enquanto o tempo acumulado estiver mudando (contando).
- DN (Finalização/Done): Muda de estado quando o valor acumulado atinge o valor pré-ajustado.
- IN (Entrada): Habilita a contagem de tempo.
Note que cada modelo de CLP pode usar uma nomenclatura diferente ou mesmo possuir ou não algum desses bits de interface.
Tipos de Temporizadores
Existem três tipos principais utilizados na indústria:
- TON (Retardo ao Ligar): Inicia a contagem quando o degrau da lógica torna-se verdadeiro. A saída (Q) é ativada somente após o término do tempo.
- TOF (Retardo ao Desligar): A saída liga imediatamente quando a entrada é ativada, mas só desliga após um período determinado depois que a entrada foi desativada.
- TP (Temporiza ao Pulsar): Funciona como o TON, mas retém a temporização mesmo se a entrada for desligada.
Aplicação
Os temporizadores servem para gerenciar qualquer processo que dependa do decurso do tempo para garantir eficiência ou segurança. Algumas aplicações típicas incluem:
- Sinalização e Segurança: Acionar uma sirene de aviso por 10 segundos antes de uma esteira transportadora começar a se mover.
- Partida Sequencial: Ligar motores de alta potência em sequência, com intervalos entre eles, para evitar picos de corrente na rede elétrica.
- Controle de Tráfego: Gerenciar os tempos de abertura e fechamento de semáforos em cruzamentos.
- Processos Químicos e Alimentares: Controlar períodos de aquecimento ou agitação em tanques de mistura.
- Manutenção Preventiva: Utilizar temporizadores retentivos para registrar o tempo total de funcionamento de uma máquina e alertar quando um filtro ou óleo precisar ser substituído.
Equipamentos
Referências
- GEORGINI, Marcelo. Automação aplicada: descrição e implementação de sistemas sequenciais com PLCs. 9. ed. São Paulo: Érica, 2007.
- PETRUZELLA, Frank D. Controladores lógicos programáveis. Tradução: Romeu Abdo. Revisão técnica: Antonio Pertence Júnior. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
- SILVA FILHO, Bernardo Severo da (Orient.). Curso de controladores lógicos programáveis. Rio de Janeiro: Faculdade de Engenharia da UERJ, Laboratório de Engenharia Elétrica, [s.d.].
- ALTUS SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO. O que é CLP e quando utilizá-lo? São Leopoldo: Altus, 2025.